terça-feira, 19 de maio de 2015

Tópico "Reportagens";

Pesquisas e Elaboração de Conteúdos Específicos para o Tópico "Reportagens"



Dez tendências da tecnologia na educação

Como garantir que investimentos e iniciativas em tecnologia realmente melhorem o desempenho dos estudantes? Evento em São Paulo trouxe algumas pistas.

Paula Adamo IdoetaDa BBC Brasil em São Paulo
Se por um lado é impensável ignorar a importância da tecnologia na vida de jovens do mundo inteiro, por outro o uso dessa tecnologia na sala de aula ainda gera grandes debates entre educadores e acadêmicos.
Como transformar os investimentos (muitas vezes altos) em tecnologia em ideias que de fato melhorem o desempenho e aprendizado dos alunos?
O tema foi discutido em São Paulo, em um seminário recente da Fundação Santillana e da Unesco (braço da ONU para educação e cultura).
Não há consenso sobre o assunto, e muitos estudos ainda não encontraram correlações diretas entre uso da tecnologia e melhor aprendizado.
Mas observadores acreditam que se internet, tablets, computadores, aplicativos e outras plataformas forem usadas para estimular a imaginação dos alunos e amparar o trabalho do professor, com objetivos claros, podem ter impactos positivos não apenas nas notas, mas no desenvolvimento de habilidades e no engajamento dos estudantes.
"O uso bem-sucedido da tecnologia sempre vai acompanhado de reformas em outros aspectos – como currículo (escolar), avaliação e desenvolvimento profissional dos docentes", diz o documento final do evento em São Paulo.
A partir do debate e da opinião de especialistas, a BBC Brasil levantou dez tendências relacionadas ao uso da tecnologia em sala de aula e experiências de seu uso na prática.

Agregar valor ao trabalho do professor em vez de substituí-lo
Em vez de recursos tecnológicos que tentem substituir o professor ou que apenas digitalizem tarefas de memorização (como tabuada) – iniciativas de pouco efeito prático e que podem até atrapalhar o rendimento -, é muito mais produtivo pensar em como a tecnologia pode ajudar o trabalho do professor.
"Uma das imagens mais caricaturescas difundidas da tecnologia na educação representa um computador que substitui o docente, oferecendo automaticamente a informação aos estudantes. Mas isso tem levado a resultados pobres, particularmente quando a ênfase dos currículos já não está apenas nos conhecimentos, mas também nas competências", diz o documento da Unesco.
"Em vez de pensar 'temos esta tecnologia e este aplicativo, como podemos usá-lo para a educação', o ideal é refletir ao contrário: perguntar aos docentes que tipo de problemas e dificuldades eles enfrentam e pensar em como a tecnologia pode ajudá-los", diz Francesc Pedró, representante da Unesco para educação, à BBC Brasil.
Nesse contexto, o professor deixa de ser apenas transmissor de conhecimento, mas sim um mediador – orientando alunos com instruções, feedback, contexto, exemplos e perguntas-chave dentro de cada projeto e identificando qual o dispositivo tecnológico é melhor para cada momento (mesmo que sejam papel e lápis).
Estudos indicam, também, que não adianta muito usar a tecnologia apenas por usar: projetos que não tenham objetivos claros e integração com o currículo escolar vão agregar pouco ao aprendizado.

Melhorar processos, sem precisar mudá-los radicalmente
A tecnologia não precisa necessariamente revolucionar a aula: pode ser usada para ajudar professores e alunos a trabalhar conteúdos mais abstratos, por exemplo, ou facilitar o aprendizado.
No ensino de ciências e de exatas é onde estão a maioria das experiências bem-sucedidas de avançço com a tecnologia, justamente porque fica mais fácil para que alunos visualizem conceitos, transformar números e equações em gráficos digitais e ver o resultado de seus experimentos.
Aplicativos como o gratuito Geogebra (www.geogebra.org) também têm ajudado professores a ensinar geometria no ensino médio.
Um estudo com 125 estudantes das 7ª e 8ª séries na Colômbia concluiu que recursos tecnológicos nesse tipo de atividade aumentou em 81% a capacidade dos estudantes em interpretar e utilizar gráficos.
Tablets estão ganhando o espaço de laptops e desktops
Mais barato e portátil, o tablet tende a ganhar espaço. O tradicional colégio Bandeirantes, em São Paulo, tem um projeto-piloto de uso de tablets equipados com AppleTV a partir do 6º ano, para substituir as salas de informática (que drenavam recursos, tanto para a manutenção dos servidores quanto para atualização dos equipamentos).
O documento da Unesco vê o tablet individual – seja comprado pelos pais ou emprestado pelo poder público – como uma tendência de médio prazo na educação.
Pedró, da Unesco, afirma que desktops e laptops continuarão sendo úteis para trabalhos escritos e para equipar alunos carentes que não tenham acesso à tecnologia.
Mas existe uma tendência de governos aproveitarem mais os equipamentos móveis que já são possuídos pelos próprios estudantes (smartphones e tablets) e focarem seus investimentos em aplicativos e redes potentes.

Pensar na internet além dos sites de buscas e das redes sociais
Muitos professores já notaram que tarefas tradicionais muitas vezes são resolvidas pelos alunos com buscas pouco criteriosas na internet e o velho "CtrlC+CtrlV" (os comandos de computador de copiar e colar).
"Tudo indica que de nada adianta continuar promovendo um uso da internet sem estrutura e orientação adequadas, que não evita que a maioria dos estudantes confie na primeira informação que encontre para sua tarefa, assim como não os ajuda a evitar as distrações da própria rede", diz o documento da Unesco.
Mas a internet tem muito mais potencial além dos sites de buscas e redes sociais.
Um projeto chamado GLOBE (www.globe.gov), por exemplo, conecta mais de 4 mil escolas do mundo com cientistas. Nele, os alunos coletam dados ambientais de suas regiões e os enviam aos especialistas, que ajudam a analisá-los e a sugerir soluções para problemas do meio ambiente local.
Plataformas como Padlet (http://padlet.com/features), já usado por alunos da rede pública brasileira, ajudam estudantes e professores a construir projetos online em conjunto. Experiências em que alunos criam seus próprios websites também estimulam diversas habilidades e a produção de conteúdo próprio.
E, no que diz respeito às buscas tradicionais, cabe às escolas ensinar os alunos a pesquisar com mais eficiência, filtrar e comparar dados, em meio à crescente imensidão de informações na internet.

Fazer conexões com o mundo real
Se facilitar a conexão da sala de aula com o mundo exterior, a tecnologia pode ter um papel crucial no ensino. E há cada vez mais exemplos disso.
Nos EUA, estudantes dos anos finais do ensino fundamental criaram seu próprio anuário escolar digital e um tour virtual de um museu local, para mostrá-lo aos estudantes mais novos da mesma escola. O resultado foram alunos mais comprometidos com os estudos.
No Equador, 55 alunos equipados com computadores simularam a abertura de um restaurante durante as aulas. Usaram softwares como Excel para controlar seus gastos e plataformas para desenvolver um website do projeto, desenhar panfletos e etc.
Em uma escola da área rural da Colômbia, no ano passado, alunos receberam tablets para desenvolver um projeto de proteção da bacia hídrica local e analisar amostras de solo. Com a ajuda de apps educacionais, usaram a oportunidade para aprender os elementos da tabela periódica.
Segundo o documento da Unesco, iniciativas assim proporcionam "oportunidades práticas para exercitar e aplicar competências", nas quais os estudantes "ganham motivação e se envolvem muito mais no processo de aprendizado".

Estimular criação, cooperação e interação
Estudantes aprendem mais quando usam a tecnologia para criar novos conteúdos por si mesmos em vez de serem meros receptores, aponta o documento da Unesco.
Nessa área há experiências bem-sucedidas de turmas ou escolas que criam e debatem, em conjunto, bases de dados sobre determinados assuntos, em plataformas de construção coletiva como o Knowledge Forum (www.knowledgeforum.org).
Na cidade de Puente Alto, no Chile, alunos do 4º ano do ensino fundamental participaram de um projeto interdisciplinar de línguas e artes, cujo objetivo era entender e valorizar os povos nativos. Os alunos pesquisaram em grupo, criaram uma história sobre um dos povos, gravaram e editaram seu próprio vídeo do projeto.
Avaliações indicam que a compreensão de conteúdos é maior em ambientes assim do que se fossem usados apenas livros didáticos.

Pensar em novas formas de avaliar os alunos
Ante novas formas de oferecer e produzir conteúdo, é preciso pensar também em novas formas de avaliar sua produção, dizem especialistas.
"O melhor é buscar tarefas que estimulem a relação com o conteúdo e a reflexão – dar desafios maiores a alunos que estão armados de mais tecnologia", diz Pedró.
Ele diz ainda que as escolas não podem esquecer de sua responsabilidade de desenvolver e avaliar as habilidades digitais dos alunos. "Apesar de usarem seus celulares o dia inteiro, eles usam para as tarefas que lhes interessam, não necessariamente para o seu desenvolvimento intelectual. Países como o Chile já fazem avaliações do grau de competência digital dos estudantes."

Usar games em favor do aprendizado
Se bem usados, videogames podem exigir do aluno análise da situação, concentração e conhecimentos das matérias estudadas, ao mesmo tempo em que tornam o aprendizado mais vivencial e divertido.
"Jogos são importantes ao dialogar com a realidade e a história locais", diz à BBC Brasil Manoel Dantas, diretor-geral da Clickideia, provedora de conteúdo educacional para escolas públicas e privadas, com sede em Campinas (SP).
A empresa desenvolveu, focando em alunos do Rio Grande do Norte, um jogo interativo que aborda um massacre ocorrido durante a invasão holandesa no Estado, em 1645.
No Peru, alunos participaram da construção de um jogo em 3D baseado em um episódio da independência peruana (a rebelião de Cusco, de 1814). Ele foi usado como complemento às aulas e melhorou o rendimento da turma.

Customização e personalização
Algumas plataformas online permitem que o conteúdo seja personalizado pela região (atividades ligadas à história e ao costume locais, por exemplo) e até mesmo a cada aluno, de acordo com seus pontos fortes e fracos.
É o ensino adaptativo, "que desenha um perfil do aluno e identifica a forma como ele melhor aprende", explica Dantas, do Clickideia.
Outra plataforma que usa o método é o software brasileiro Geekie, que ao interagir com o estudante, percebe suas aptidões e dificuldades e traça um plano de estudos adaptado a elas.

Planejamento é chave
O uso da tecnologia será mais eficaz se for não aleatório, mas planejado, com objetivos claros de qual impacto pode ter no ensino.
Em estudo de julho deste ano sobre eficiência da tecnologia na educação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento sugere quatro itens: 1) Focar em objetivos de aprendizado específicos, que podem ser em áreas básicas, como matemática e idiomas, ou em habilidades, como pensamento crítico e colaboração; 2) Coordenar componentes-chave: infraestrutura tecnológica, conteúdo e recursos humanos; 3) Desenvolver uma estratégia de avaliação e monitoramento do projeto, com as etapas a serem cumpridas e o impacto que ele pretende gerar; 4) Garantir que a iniciativa não seja isolada, mas parte de um plano sustentável ao longo do tempo na escola ou na rede de ensino

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/12/dez-tendencias-da-tecnologia-na-educacao.html

Professor de Juazeiro do Norte cria aplicativo para aproximar pais e alunos da escola

O professor de Informática Hernani Oliveira decidiu criar uma plataforma para unir todo o conteúdo virtual da Escola Prefeito Antônio Conserva Feitosa



Alunos utilizam o aplicativo para se informar sobre
as novidades na instituição. (FOTO: Hernani Robinson)
Sair de casa, dar aulas, corrigir exercícios e elaborar provas. Essas atividades são comuns para qualquer professor. Porém, há aqueles que vão além e se destacam por iniciativas criativas. Em Juazeiro do Norte, o professor de Informática Hernani Oliveira decidiu criar uma plataforma para unir todo o conteúdo virtual da Escola Prefeito Antônio Conserva Feitosa, no intuito de integrar corpo docente, funcionários, pais e alunos.
O professor, que leciona há três anos na escola e é responsável pelo Laboratório de Informática, auxilia outros professores e alunos no manuseio dos computadores, além de conduzir pesquisas e ministrar cursos de informática. “Gosto do meu trabalho, de tecnologias e das pessoas que fazem parte da escola. São elementos que me motivaram a desenvolver o aplicativo e ajudar a nossa escola”, conta.
O objetivo é aglomerar informações da instituição em único local, de modo a persuadir o aluno a conhecer outras mídias digitais da escola. O aplicativo foi criado em apenas dois dias, e recebe manutenção diária, fora do horário escolar. O app reúne todas as mídias sociais da escola: blog, Facebook, Twitter, Youtube e fotos. Através da ferramenta, que está disponível nos sistemas operacionais Android, iOS e Windows Phone, o usuário é informado sobre horários de aulas, reuniões de pais e mestres, eventos escolares, entre outros.
Para o professor Hernani Oliveira, o aplicativo é importante pelo fato de reunir as mídias digitais que a escola está inserida, assim como conectar o público jovem. “Apesar de minhas áreas de formação serem ciências humanas e ciências sociais aplicadas, sempre fui um amante das tecnologias, e constantemente busco me manter conectado com o que há de novo no ambiente digital, fazendo cursos online. Sou um autodidata virtual”, explica.
Novidade do ano
Alunos utilizam o aplicativo para se informar
 sobre as novidades na instituição. (FOTO: Hernani Robinson)
A plataforma foi apresentada em fevereiro deste ano, durante a primeira reunião escolar. Depois do anúncio, os alunos baixaram o aplicativo em seus smartphones, e desde então a novidade tem se tornado comum nas conversas entre os alunos nos corredores da instituição. “Se o objetivo do aplicativo é os discentes serem informados com notícias da unidade escolar e de interesse educacional, pode-se dizer que está sendo alcançado, já que nosso propósito é mantê-los sempre informados”, conclui o professor.
Fonte de Pesquisa: http://tribunadoceara.uol.com.br/noticias/educacao/professor-de-juazeiro-do-norte-cria-aplicativo-para-aproximar-pais-e-alunos-da-escola

MÚSICA E EDUCAÇÃO

A música como elemento de aprendizagem no meio escolar.

Educação é uma palavra que deriva uma série de significados, muitos deles bastante complexos, no entanto, para concebê-los é preciso utilizar de vários recursos didáticos ou não. Quando se fala em educação muitos pensam que a mesma refere-se somente àquela desenvolvida no âmbito escolar, porém vai muito além disso, é conhecer o mundo, a convivência em sociedade e sua organização, esse processo tem início no contato da criança com o país e familiares e com os objetos que encontram-se ao seu redor. 

O conhecimento intelectual de um aluno é resultado da interação dele com o meio e não somente por si mesmo. Dessa forma, o meio pode se materializar de muitas maneiras e são justamente essas variações que podem diversificar as metodologias didáticas aplicadas no processo ensino-aprendizagem, independentemente da disciplina que se deseja trabalhar, nesse caso o mediador do procedimento é o educador, é ele quem direciona ou conduz o aluno nesse sentido. 

No caso da música, essa possibilita o desenvolvimento intelectual e a interação do indivíduo no ambiente social, se for usada de uma forma planejada. A música é um dos principais meios de persuasão existente na sociedade, pois através dela é possível transmitir não somente palavras, mas também sentimentos, idéias e ideais que podem ganhar grandes repercussões didáticas se bem direcionadas. 

A música como alternativa didática aguça o interesse do aluno, que muitas vezes sem perceber se encontra totalmente envolvido no processo, uma vez que o conjunto de palavras contidas no texto da música é aproveitável em distintas temáticas como ponto de partida na construção do ensino-aprendizagem. 

O convívio do aluno no ambiente escolar associado à música provoca uma significativa melhoria no humor, desse modo produzirá um ambiente com indivíduos mais alegres que tendem a serem mais motivados a participar das atividades escolares. 

Além disso, o uso da música na escola provoca também um melhor relacionamento entre os alunos, facilitando trabalhos coletivos e contribuindo com a perda da timidez, favorecendo a linguagem corporal. 

Diante das afirmativas, fica explícito que a musicalização contribui diretamente no desenvolvimento cognitivo, linguístico, psicomotor e sócio-afetivo do aluno, independente de sua faixa etária. A música promove em alunos com necessidades especiais uma maior inserção no convívio social.
É notável em uma sala de aula que a música utilizada como base curricular em diferentes disciplinas é de extrema importância, pois garante um resgate do aluno para com o conteúdo e seu educador. 
O simples fato de ter uma música no ambiente escolar, enquanto são desenvolvidas explicações de conteúdos didáticos, já favorece em um melhor comportamento disciplinar por parte dos alunos no transcorrer da aula.
Por Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

O Papel da Educação, a Importância do Ensino Contextualizado e a Leitura


Artigo por Norberto Pereira de Carvalho - terça-feira, 10 de julho de 2012


Refletindo a educação
Quando tinha oito anos gostava de desenhar... quando fiz treze adorava desenhar... quando conheci a geometria... já achava o desenho interessante... quando deparei-me com o cálculo da hipotenusa... passei a achar o desenho chato. Quando estudei desenho arquitetônico... reencontrei-me com a hipotenusa e pensei... afinal isso serve pra alguma coisa. Quando fui projetar as escadas de minha casa...pensei... que bom que aprendi a calcular a hipotenusa! 

Encontrar-se com o sentido das coisas ainda é e sempre será eficaz naquilo que ela realmente deveria produzir: o conhecimento. Conteúdos descontextualizados são mais facilmente desconstruídos em face do óbvio... "o que fazer com isso?... “onde em minha vida vou usar aquilo”?". Daí então se vê perdido aquilo que nem mesmo foi conhecido. A didática é sempre importante, todavia a dinâmica e a coerência também têm seu papel fundamental na verdadeira construção do conhecimento. 

Sou um ser humano em construção e quero ser alguém consciente e pleno de sentidos, de sensibilidade e equilibrado. Inquieto e incessante em tudo que me cerca. Isto me fará querer uma cidade melhor; justa e de uma sociedade participativa e ocupada em melhor desenvolver uma consciência de seus direitos e deveres. 

A educação deve assumir o seu papel mais amplo que é o de construir um cidadão mais consciente e completo. Sem preconceitos e responsável. Sabedor, mas também capaz de transmitir conhecimento para a construção de uma sociedade melhor. Não deve assumir um caráter salvacionista, mas sim entender e participar de maneira mais significativa para a construção deste ser humano não só completo, mas também repleto. 

Ensinar não se restringe às paredes da escola, todavia não se pode excluir ou desvincular a importância da difusão do conhecimento científico e sistematizado oferecido, assim como as regras de civilidade que mesmo que tenham por vezes o objetivo da manutenção das relações de poder, também exercem, mesmo que de maneira desvinculada ou descontextualizada, ações básicas que permitem ao menos a manutenção da ordem. 

Recentemente assisti uma reportagem em que Ruben Alves nos alertava sobre a necessidade de “se despertar o amor e não o hábito da leitura”. Fato este que nos leva a pensar no papel do educador pesquisador, aquele que não se conforma com a simples aquisição de conteúdos desvinculados e sem significados dos livros didáticos, deve considerar o conhecimento do aluno, relacionando e contextualizando a cultura do mesmo e a cultura do lugar, deve ainda desenvolver a educação em seu caráter formador não só de um ser humano condicionado para uma boa vaga de emprego, mas para a construção de um cidadão pleno e consciente.

Os investigadores do manguezal
Os pequenos visitaram o berçário de diversas espécies e descobriram como preservá-lo






Nos arredores do CEI Odorico Fortunato, em Joinville, a 186 quilômetros de Florianópolis, o chão é úmido e coberto por uma baixa vegetação, que revela buracos por onde saem pequenos e velozes caranguejos. Mais alguns passos e a terra dá lugar a um corredor de água margeado por árvores de caule fino e folhas verdes onde diversos pássaros param para descansar. Essa é a paisagem que Kayky Gabriel da Silva Sobral, 6 anos, vê quando observa o manguezal. Antes de participar do projeto desenvolvido pela professora Paula Aparecida Sestari, ele e seus colegas não prestavam muita atenção no espaço ao lado da escola, visto como um lugar sujo e malcheiroso em que os moradores do bairro jogavam lixo. 


"Queria mudar esse olhar e chamar a atenção das crianças para a importância desse ecossistema tão próximo", conta a educadora. Depois de conversar com os pequenos e coletar depoimentos deles sobre o manguezal, a docente formulou um questionário destinado aos pais. A devolutiva mostrou que muitos não sabiam explicar o que era aquele espaço, nem conheciam sua ligação com a Baía da Babitonga - a porção de mar rodeada por terra em que desemboca o braço de rio ao lado da escola. A relação deles com o ecossistema era puramente predatória, ligada à extração do caranguejo e à pesca, o que reforçou a necessidade de abordar o tema com a meninada. 

Para explorar o lugar, as crianças foram até ele mais de uma vez. Inicialmente, a professora as convidou a observar os sons, a cor da água e os animais que apareciam nas margens. Com o tempo, elas passaram a desenhar tudo o que viam nas visitas. "A tarefa permite identificar a utilidade do registro como memória e instrumento de comunicação das experiências vividas", aponta Telma Vitória, professora de Fundamentos da Educação Infantil da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Outras possibilidades de guardar as impressões de lugares fora da escola é disponibilizar máquinas fotográficas. Ou o professor, na condição de escriba, escrever as observações narradas pelos meninos e meninas.
Em sala, Paula destacou a ligação entre o local nos fundos da instituição e a natureza da região, mostrando uma foto do prédio do CEI tirada do alto. A imagem revela o manguezal ao redor e uma faixa de mar, que logo saltou aos olhos. "Tem uma praia aqui perto?", perguntou um dos meninos. A educadora explicou que a porção de água vista por eles era a Baía da Babitonga, o encontro do rio com o mar. Para complementar, levou mapas e fotos antigas e recentes do lugar.

Quando perguntados sobre os animais típicos da região, os pequenos citavam apenas o caranguejo. Para ampliar o repertório deles, Paula leu alguns exemplares da revista Menino Caranguejo, organizada pelo Instituto Caranguejo de Educação Ambiental, que contêm histórias em quadrinhos sobre a fauna encontrada em ambientes costeiros brasileiros. Além do material, a turma teve acesso a fotos e textos com informações sobre a saracura-do-banhado, o jacaré-de-papo-amarelo e a tartaruga marinha, entre outros. 


A atividade foi complementada com pesquisas feitas pelas próprias crianças, que manuseavam os materiais, procuravam imagens nas revistas e livros disponíveis e pediam para a professora ler e confirmar se era mesmo o que buscavam. Essa etapa mostra que a pesquisa não é exclusividade de quem já sabe ler. Encorajar os pequenos a buscar informações em livros e revistas é uma das formas de familiarizá-los com textos informativos. Assim, eles ampliam o leque de gêneros textuais conhecidos. "É importante selecionar informações e diferenciar o que está dito do que se imagina", aponta Maria Virgínia Gastaldi, formadora do Instituto Avisa Lá. "Assim, as crianças aprendem a distinguir os conteúdos e conhecem outro gênero além da ficção, que tem o seu papel, mas não precisa ser o único explorado na Educação Infantil", complementa ela. 

Depois da leitura, houve uma roda de conversa sobre o manguezal e seus habitantes. "Vimos que todos os bebês precisam de cuidado, os humanos e os animais. Os filhotes de várias espécies, principalmente peixes, têm nesse ambiente um lugar privilegiado de desenvolvimento graças ao material orgânico disponível", conta Paula. 

A turma discutiu também o prejuízo que a sujeira causa à natureza. Com o depósito de lixo, o lugar fica poluído, a fauna sofre as consequências e passa a correr risco de extinção. A meninada, então, produziu uma maquete de como seria o manguezal ideal, com a argila substituindo o solo, todo limpinho e povoado de borboletas, caranguejos e pássaros de papel (leia a entrevista abaixo sobre como fazer projetos de meio ambiente).



Entrevista

Andrée de Ridder Vieira, consultora em Educação pela sustentabilidade e coordenadora geral do Instituto Supereco. 



O que caracteriza um bom projeto de meio ambiente? Ele tem de abordar os conteúdos curriculares e colar isso à realidade local e às pessoas. É preciso definir objetivos relativos às necessidades do entorno e ações que provoquem mudanças no olhar e no comportamento dos estudantes.



Quais os erros mais comuns? Entre os problemas, destaca-se fazer campanha sobre preservação do meio ambiente sem analisar a situação; pesquisar na internet, não checar em fontes seguras e passar informações erradas à classe; e não relacionar o tema à realidade da turma. Outro equívoco recorrente é não desenvolver projetos, alegando falta de recursos. O meio ambiente está na escola e o principal insumo é o entorno.


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